Personal | Dia de aniversário a 3.000 km de casa

Pequenos grandes gestos

Acredito que não é preciso datas especiais para se celebrar o que quer que seja, no entanto,  fazer anos é ter o direito irrevogável de ser mimado mais um bocadinho do que o costume e reunir todas as pessoas que mais gostamos, pelo menos durante um dia, todos os anos.
Este ano foi diferente.
Estou a cerca de 3.000 km de casa e de tudo o que conheço e a ansiedade pré-aniversário não se fez sentir, até porque é nas datas especiais que custa mais estar longe.

Alguns dos miminhos das minhas miúdas


Estar longe, no entanto, não é sinónimo de não ser mimada e a distância física não é nada, quando temos pessoas que realmente gostam de nós e nos querem ver felizes independentemente de tudo.
Não há obrigados suficientes para todas as pequenas surpresas, palavras e gestos que, este ano, tiveram um gostinho especial e me fizeram sentir menos pequenina neste país tão grande.



In love com o novo acessório! Made by Patty. A amiga super talentosa e cheia de bom gosto.

Um obrigado especial, ao João, ao parceiro desta nova aventura que me conhece apenas à duas semanas e que aturou a Lídia party animal. Escusado será dizer, que esta é a primeira de muitas.

Aos amigos de sempre e para sempre, aos amigos que não são de sempre mas que o serão e aos novos amigos: obrigada por tornarem 23 anos de história (da minha história) tão especial.






9 coisas | Sobre viver em temperaturas negativas



Sim, são 9... não é um número redondo, não é enfadonho e é o meu número favorito!
Sempre fui friorenta, é um facto, mas desde que vim para a Polónia percebi que o frio de Portugal é para meninos.
Para quem já está habituado é peanuts mas para quem nunca sentiu tanto frio na vida, há pequenas coisinhas e pequenos hábitos que obrigatoriamente mudam.
Para quem nunca lidou  com esta realidade, ficam algumas dicas, para quem já lida com isso, vai-se sentir familiarizado


1- Uma lufada de ar fresco nunca mais terá o mesmo significado

Sim, está frio. Sim, eu estou farta de saber que está frio.
Mesmo assim, acabo sempre supreendida e a fazer comentários mainstream sobre o frio que está...certinho como o destino.
Nunca estou suficientemente preparada psicologicamente para a trombada de ar frio que levo logo nos primeiros milésimos de segundo que me atrevo a pôr os pés fora da porta. Sim, ainda não...

2- Meias, meias, meias

Sempre tive tendência para ter os pés frios, por isso, meias nunca são demais!
Miúda dos 3 pares de meias? Presente!

3- Gelo, seu falsiane....

Quem nunca se riu a ver vídeos de pessoas no cai-não cai no gelo? Ah pois!
O karma não perdoa, e o gelo também não. É preciso ter-se mesmo muito cuidado onde se põe os pés e é bastante fácil dar uma queda das feias.
Não, (ainda) não caí. Sim, quase, quase que aconteceu. E não, não há videos disso!
João: não te estou a tentar dar ideias. Não compres essa guerra comigo.


4- Tira-casaco , veste-casaco

Os edíficios são, felizmente, quentinhos, até uma pessoa friorenta como eu anda confortavelmente de t-shirt em casa, por exemplo. Isso é ótimo certo? Óbvio.
No entanto, a passagem do interior para exterior e do exterior para o interior acarreta todo um ritual que deve ser meticulosamente seguido, exactamente por esta ordem: tira-luvas, tira-gorro, tira-casaco, tira-camisola, veste camisola, veste casaco, veste gorro, veste luvas.
Ao fim de uns dias habituamo-nos, mas nos primeiros parece que somos a personagem principal da cena do karate kid... tira casaco, veste casaco, tira casaco, veste casaco....




5- Óculos e as diferenças de temperatura

Se usares óculos ainda há agravante de ter que fazer o ritual do tira-casaco, veste casasco com os óculos embaciados tornas-te, portanto, numa cebola desorientada com campo de visão limitado.

6- Mãos frias, coração quente - Mãos quentes...

 A temperatura das mãos chegam a um ponto que estão tão frias que começam a aquecer, é um processo doloroso e demorado e aposto que há uma explicação muito simples e cheia de factos científicos sobre o porquê que isso acontece . Cá para mim, o frio parte-me o coração, e as mãos começam passar de frias para quentes, no sentido inverso do dito popular. Faz sentido?  Deixem a criança ser feliz, vá.

7- Neve, neve, neve

Para quem só viu e esteve uma vez ou duas na neve, ver a nevar no dia-a-dia é algo mágico.
Sempre gostei de ver a chuva a cair, mas ver a neve é mil vezes mais bonito e relaxante. Tem ainda a vantagem de não ser tão incómodo andar na rua enquanto neva como quando chove.
22 anos a evitar guarda-chuvas and still counting!



8- Pingo no nariz

Ainda da série - transições do exterior para o interior: caramba, é que é inevitável que o maroto do pingo no nariz surja quando vou de um sítio muito frio para um muito quente,.andar sempre com um pacote de lenços nos bolsos e na mochila passou a ser (ainda mais) fundamental.
(sim, estou mesmo a falar de ranhoca, eu sei que não é bonito mas toda a gente tem)

9- Casaco e botas: os  fiéis melhores amigos

Um bom casaco e umas botas são essenciais para estas temperaturas... Tenho vários casacos e vários pares de botas, mas dou por mim sempre a escolher o mesmo casaco e as mesmas botas quando sei que o frio vai apertar, mesmo parecendo que estou sempre vestida de igual. É quando o frio aperta que se percebe quais são as peças que realmente valem a pena, e que às vezes mais vale qualidade que quantidade.



Agora, que já estava pró nisto de andar no frio, as temperaturas vão aumentar e vão chegar aos 12º (positivos) ainda este mês... A Primavera já está a querer espreitar e está na altura de riscar da bucket list as coisas que ainda quero fazer com neve.

















EVS | EVS em Plichtów



Durante os próximos meses Natolin vai ser a minha casa e Plichtów o meu local de trabalho.
Plichtów e Natolin são vilas vizinhas e pertencem ao distrito de Nowosolna.
Apesar de serem vilas diferentes, são mesmo muito próximas uma da outra e é possível fazer o caminho casa-trabalho em apenas poucos minutos.
Plichtów fica a cerca de 13 km de Łódź, a terceira maior cidade da Polónia.

Centro Comunitário Cultural e Ecológico de Plichtów

"Descobre a tua vizinhança, descobre-te a ti próprio" é o nome do  projeto que integro, juntamente com o João no Centro Comunitário Cultural e Ecológico de Plichtów.
O Centro fica bastante perto da casa onde estamos alojados e por isso costumamos fazer esse caminho a pé, embora tenhamos a opção de o fazer de autocarro.


No Centro Comunitário, são organizadas bastantes actividades para toda a comunidade, desde aulas de inglês para crianças e séniores, danças latinas, tai-chi, yoga, aulas de cerâmica, pintura...
Agora, com a minha contribuição e do João, o Centro pode adicionar à sua lista aulas de Português.
O espaço é super acolhedor e temos o previlégio de trabalhar com pessoas muito competentes e dedicadas e sempre atentas às nossa possíveis dificuldades e à sua resolução.
Apesar de nem todos falarem Inglês, todos nos receberam com muita simpatia e de braços abertos.

O João e a Ilona
Estamos alojados no segundo andar da casa de uma das funcionárias do Centro, onde fomos muito bem recebidos por toda a gente, o Topiks (o cão da família) não nos recebeu de forma tão calorosa mas acho que estamos num bom caminho para criarmos uma relação baseada em carinho, confiança e biscoitos de cão.
Nem sempre é fácil comunicarmos, porque nós não falamos (ainda) polaco e eles não falam inglês, mas nada que não se resolva com paciência, força de vontade e mímica.

Quem disse que estar longe de casa tinha que ser super difícil?

Yes, I know. This isn't a bilingual post, too,but I'm working on that! Some news soon!




EVS | O que é EVS?

Créditos- João Miller
Cada vez mais conhecido, mas ainda nem tanto, o European Voluntary Service é um programa financiado pela Comissão Europeia que permite jovens entre os 17 e os 30 anos fazer um projeto de voluntário, noutro país, que não o seu país de residência.


Existem imensos projetos,tanto no campo de cultura e arte, actividades com crianças, jovens ou séniores, desporto, actividades lúdicas, ambiente, entre tantos outros.
É, portanto, relativamente fácil encontrar um projeto de interesse e que vá de acordo com as aptidões que se tem e/ ou que se desejam adquirir.
Estão excluídas intervenções de alto risco, como é o caso de assistência imediata em caso de catástrofe, ou em situações de imediato pós-crise.
Relativamente à duração, o projeto pode ter até 12 meses, existem projetos de curta, média e longa duração.


A estadia, alimentação, deslocações do voluntário são financiadas.
O voluntário, terá também uma quantia dinheiro (mensal) ou pocket money, e  terá liberdade de usar como quiser ( o valor é fixado pela Comissão Europeia e varia de país para país).
Porém, é necessário ter em conta, que enquanto voluntário, o dinheiro fornecido não é, de todo, com o objetivo de pagar os serviços e atividades realizadas, mas sim, fornecer as melhores condições possíveis de sobrevivência e assegurar o seu bem-estar físico e psicológico.

Obrigada Unplash por forneceres cheats para posts gigantes

O local de alojamento e formas de pagamento são também variáveis, de acordo com o país e projeto que o voluntário está inserido - é por isso importante, que o candidato se informe devidamente sobre todos estes factores junto das associações ou organizações envolvidas no projeto.
Um projeto EVS envolve uma parceria entre o voluntário, a organização de envio (no país do voluntário) e a organização de acolhimento (no país em que o projeto irá realizar-se) e ambas têm responsabilidades, desde preparação, formação e acompanhamento de todo o projeto.

Existem várias associações em Portugal a trabalhar com este programa.
A ProAtlântico é uma dessas associações, e é também, a associação de envio associada ao meu EVS.

No final do projeto, o voluntário terá direito a receber um Youthpass, que corresponde a uma espécie de certificado onde estão descritos todos os projetos e atividades que o voluntário esteve inserido, assim como as competências adquiridas e desenvolvidas.
Este é, definitivamente, uma ótima alternativa para quem quer conhecer o mundo, aprender novas línguas e experienciar novas culturas.



Ok, sou uma dessas pessoas! O que tenho que fazer?


Acede ao site da ProAtlÂntico (ou de outra associação que trabalhe com o programa) , lá terás uma lista de projetos, com o país, duração, e data de início. Na maioria dos projetos só será necessário enviar o teu currículo e carta de motivação,em inglês, mas está atento se necessitas de responder a algum inquérito específico ao projeto que te estás a inserir (não te preocupes, se for o caso estará especificado nas informações do projeto).
No site da Proatlântico tens ainda alguns modelos de cartas de motivação e de curriculos para te ajudar.
Depois de feita a candidatura só tens que esperar que te contactem.


Se precisares de mais alguma informação ou de um empurrãozinho para aquilo que pode ser a aventura da tua vida, não hesites em falar comigo e podes sempre ler alguns testemunhos de quem já fez EVS.

Vai que é teu!!

Está oficialmente inaugurada a categoria EVS do Calidioscópio.

Olá mundo!

´

Não é por acaso que a criação deste blog coincide com o início de uma nova etapa.
Numa de aproveitar a vibe destemida e aventureira, que confesso, nem sempre me é característica, surge assim o Calidioscópio, fruto também de uma vontade tímida de tempos longínquos.
O que podem contar?
Genuinidade e boa disposição (assim, sem pão, sem nada).
Sejam bem-vindos às aventuras, pensamentos e reflexões de uma  miúda trapalhona, recém iniciada na vida adulta, blogger a estrear e voluntária a tempo inteiro.
Ficaram curiosos? Boa!

créditos da fotografia: João Miller

Etimologia de Calidioscópio



Para definir a origem e perceber o significado de Calidioscópio teremos que investigar os primórdios de Caleidoscópio, substantivo masculino, de origem Grega,


ca·lei·dos·có·pi·o
(grego kállos, beleza + eîdos, o que é visto, forma + -scópio)


1. Aparelho de física, para obter imagens em espelhos inclinados, e que a cada momento apresenta combinações variadas e interessantes.


2. Conjunto de coisas que se sucedem, mudando.


"caleidoscópio", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa


Um Caleidoscópio reflete a luz, todas as cores e formas se interagem umas com as outras, refletindo-se e criando um padrão.


ca·li·dios·có·pi·o
(caleidoscópio + lídia)


1. Aparelho metafórico, Caleidoscópio de memórias.
2. Conjunto de coisas que se sucedem, mudando, na vida da sujeita, neste caso, a autora do presente texto, neste caso Lídia.


"calidioscópio", in Etimologia de Calidioscópio [em linha], 2017-infinito, http://calidioscopio.blogspot.pt/
[consultado em 25-01-2017].


Calidioscópio, deriva semânticamente da palavra Caleidoscópio.

Calidioscópio
O Caleidoscópio Metafórico


Se substituirmos luz, forma, cor de um Caleidoscópio para memórias, estas irão interagir umas com as outras de forma similar e refletem-se para representar o indivíduo como um todo : todas as pequenas coisas que fez na vida, todas as boas ideias, todas as más, a mãe, pai, irmão, amigo, conhecido, amigos imaginários... Cada peça de arte criada, todas as emoções alguma vez sentidas, cada pulsação do coração que tilintam sobre ondas electromagnéticas. Um indivíduo multidimensional, que existe em infinitos números de lugares ao mesmo tempo, que adquire aprendizagens e evolui- criando uma frequência única, insubstituível e irrepetível que se propaga no cosmos.


Um Caleidoscópio de memórias pode ser qualquer um de nós.


Um Calidioscópio... bem, um Calidioscópio é a Lídia.